Sabe aquele zumbido insistente, aquele ressoar agudo, aquele barulho insuportável que incomoda as nossas noites de verão? Pois é, ele não é um privilégio dos insetos. Não são apenas os pernilongos que são capazes de tamanho incômodo. Pessoas também podem nos atazanar tanto ou mais que um aedes albopictus.
A diferença é que, enquanto os problemas das muriçocas a gente resolve com uma travesseirada ou um plug na tomada, as pessoas mosquito simplesmente continuam. Exaustivamente. E elas não tem o senso de quão inconvenientes podem ser. Via telefone, via mensagem, via email, qualquer meio possível de acessar a nossa infinita paciência é cruelmente usado. E não apenas são sanguessugas, como também são experts em nos colocar em sinucas de bico, posicionando-nos em cima do muro, sabendo que de um lado há um poço de jacarés e de outro um ninho de cobras. Se seu corpo está sob o lençol, picam seu rosto. Se você cobre a face, mordem suas mãos. São leves e sorrateiros, pretendendo passar desapercebidos. Pedem falsamente a nossa opinião, já sabendo antecipadamente que jogarão contra nós qualquer que seja a resposta. Sua picada é como uma alfinetada.
Quero dormir tranquila, porém os zumbidos incomodam demais. E não apenas na hora, pois suas melodias ficam ressoando pelo ar indefinidamente. As pessoas mosquitos não conseguem ser felizes, pois estão preocupadas demais com a vida alheia. Não respeitam o que você quer fazer, não aceitam quem você é, e definitivamente não concordam em nada com as suas escolhas. Como se coubesse a elas julgar isso!
Mas, como tudo na vida, é na hora do incômodo dos mosquitos que a gente vê, sem nem uma sombra de dúvida, que tomamos a decisão certa em não morar perto de rio. E em não deixar água parada. E telar toda a casa. A vida nos ensina, às vezes por meios estranhos, que nada vale mais do que a nossa paz de espírito. Os mosquitos podem perturbar, mas a gente sabe que, tirando o barulho deles, e enxergando à luz do dia, nada mais são do que uma sombrinha no canto da parede. Deixa eles lá.
